No (Chile 2012)

AFICHE-NO-GAEL-GARCIA-ALTA

Elabore uma campanha política contra a ditadura, a favor da democracia, isso em um plebiscito proposto pelo ditador. Fácil? Não, afinal quem chamou a plebiscito foi o governo de Pinochet em 1988, no Chile. Mas um publicitário aceitou fazer a campanha a favor da não permanência do ditador no poder.

No é um filme que conta o processo de como foi criada e a repercussão da campanha do NO (não), em um momento que Chile sofria uma forte pressão internacional para a retirada do ditador Pinochet. Porém, ainda existia muita repressão e medo no país.

Gael Garcia, faz o publicitário Saavedra, filho de exilado político. Seu chefe na agência é a favor da permanência do ditador, enquanto ele é convidado para cuidar da campanha do NO. Começa um jogo dele manter seu trabalho e fazer uma campanha vitoriosa, mesmo que todos acreditassem que os resultados seria manipulados a favor do SÍ, permanência de Pinochet. O divertido é ver como as duas frentes pensam, como elas vão defender suas ideias. E como os políticos não conseguiam abrir a cabeça pra esta forma de comunicação.

NO, mostra um Chile divido, parte pelo medo de opinar e outra porque de verdade apoiava ao ditador. Mas o foco principal do filme é mostrar o processo da campanha, como naqueles anos, por volta de 1988, ainda a repressão era forte aos opositores à ditadura. A arte do filme está incrível, assim como figurino e a contextualização da época, Larraín, fez um senhor filme. Só não ganha Oscar, porque no filme está claro o apoio do tio Sam ao governo do ditador Pinochet.

Momento EMO(CIONAL)
Como muitos sabem sou filha de chilenos (chilena depois da queda de Pinochet, antes disso, nenhum filho de chileno, nascio no exterior,  podia ser registrado como chileno), cresci ouvido muitas coisas lindas do país, como fortes, as histórias e marcas duras que a ditadura deixou na minha família e de muitos amigos. Morei alguns anos lá, mesmo nos finais dos 90, ainda existia e até hoje existe uma divisão muito forte na sociedade em relação ao ditador Pinochet.
Sei que faço parte de um grupo de pessoas, as quais o tal ditador, tirou o direito de conviver com avós, primos e tios. Não lembro de natais em família, quem dirá aniversários. Tenho lembranças da minha primeira ida ao Chile, com uns 4 anos, onde recebemos orientações dos meus pais, caso depois de revistas por militares ele não voltasse ou acontecesse algo. A dica era falar português. Tenho lembranças da mochila do meu irmão, em umas das vezes que fomos, ser revirada, detalhe que ele tinha uns 10 anos. Lembro de uma vez que muitos “tios” foram juntos no mesmo avião, naquela vez vi meus pais e “tios” se entre olharem a medida que cada uma sai da polícia internacional, com intuito de demonstrar que saíram e estavam bem.
Não sou a favor de nenhuma ditadura, seja de direita ou de esquerda em sua tendência política.
Porém, desse processo da ditadura de Pinochet, posso falar com propriedade. E lembro até hoje da emoção de um “tio/avó”, que sofreu muito na ditadura, entrar cantando:” Venceremos, venceremos…” agitando a bandeira Chile do NO, em casa, logo após o plebiscito. Além da felicidade de meu pais e muitos “tios”. Mesmo que até hoje justiça 100% dos casos de desaparecidos, ainda não foi feita. E jamais pode-se esquecer o que aconteceu na ditadura de Augusto Pinochet, para nunca se repetir.

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1 Response to “No (Chile 2012)”


  1. 1 Ricardo Andrés Cifuentes Aldunate janeiro 18, 2013 às 2:22 pm

    Muito bom para a alma!


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